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Trabalhadores são resgatados em Ituporanga em situação análoga à escravidão

Publicado em: 01/08/2020 14:30:20 - Por Tatiana Carolina
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Dezoito trabalhadores foram encontrados em situação análoga à de escravidão na área rural de Ituporanga, no Vale do Itajaí. As vítimas são do Ceará e estavam em um barraco sujo, sem colchões nem água potável e com banheiro precário.


Os trabalhadores não receberam as roupas de inverno que foram prometidas na oferta de emprego e passaram muito frio durante a semana. O caso foi descoberto depois que um deles passou mal e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi socorrer.


Uma das vítimas disse em boletim de ocorrência que recebeu mensagem de um agenciador que precisava de mão de obra para o plantio de cebola. Por mensagens no celular mesmo, recebeu a oferta de um salário de R$ 5 mil para cada trabalhador, além de moradia, agasalho, comida e passagens de ida e volta.


O trabalhador, então, convidou mais 17 jovens para ir com ele a Ituporanga. A viagem durou três dias em um ônibus clandestino, porque o transporte interestadual está proibido por causa da pandemia. Eles chegaram em Ituporanga na segunda (27) e encontraram uma realidade diferente da proposta que receberam.


Ainda conforme o boletim de ocorrência, eles ouviam o tempo todo que se eles não trabalhassem, não poderiam voltar ao Ceará. E só ganhariam o jantar se fossem para a lavoura e pagassem pela refeição.


Resgate


As vítimas foram resgatadas depois que uma delas passou mal na quarta (29) e os colegas chamaram o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). A equipe de socorristas percebeu a situação e na manhã seguinte (30) foi ao alojamento com a Vigilância Sanitária e a Polícia Militar.


Os trabalhadores estão agora em um abrigo improvisado no Centro Multiuso de Ituporanga. A prefeitura da cidade cearense da qual eles vieram se comprometeu a pagar as passagens de avião de volta e eles devem embarcar na segunda (3) em Florianópolis.


O homem que passou mal estava com suspeita de Covid-19, mas passa bem e está sendo monitorado.


Para a PM, o empregador negou ter contratado essas pessoas. O caso vai ser encaminhado para a Polícia Federal, órgão responsável pela investigação de trabalho análogo à escravidão.


G1

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