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20 anos da tragédia que marcou duas nações

Foto: Gilmar de Souza/Agencia RBS


Publicado em: 14/01/2020 10:52:18 - Por Luis Carlos Radar
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Há 20 anos, dois acidentes divididos por um intervalo de 30 horas, marcaram para sempre a história de duas nações. As tragédias com os ônibus argentinos deixaram 44 mortos e ainda são lembradas por muitos que passam pelos quilômetros 196 e 194 da BR-470, na Serra da Santa em Pouso Redondo. Passadas duas décadas, quem presenciou a angústia dos familiares das vítimas e a dor dos envolvidos ainda relembra momentos que marcaram os dias 12 e 13 de janeiro do ano 2000.


No dia 12 de janeiro, um ônibus da Giménez Viajes que saiu de San Miguel de Tucumán com destino a Balneário Camboriú se acidentou às 5h30, quando o motorista perdeu o controle do veículo, que acabou batendo de frente com um ônibus da Reunidas na Serra da Santa, deixando 39 mortos. À época, diretor de um jornal de Rio do Sul, Gabriel Goméz, estava de férias no Litoral quando recebeu a notícia. Natural da Argentina, ele prontamente partiu para a cidade de Pouso Redondo para auxiliar na comunicação das famílias das vítimas que buscavam informações.


“O jornal do qual eu trabalhava, cobriu a tragédia, porém a minha memória é mais emocional do que jornalística. Não dá pra esquecer os corpos, a angústia e a dor”, comenta Goméz. Ainda segundo Goméz, a burocracia para a liberação dos corpos foi um agravante da tragédia.


“Eu me lembro da emoção de ter de traduzir, mas como traduzir uma emoção? Como você acaba tendo que ser interprete de uma burocracia, por uma lado necessária, mas por outro lado, a emoção de um familiar dizendo ‘eu quero enterrar meu pai, minha mãe ou meu filho’”, lembrou.


Menos de 30 horas depois do primeiro acidente na Serra da Santa, às 9h45 do dia 13 de janeiro outro desastre causou ainda mais mortes no local. No Km 194, cinco turistas argentinos morreram e 42 ficaram feridos no capotamento de um ônibus da empresa Mayorista de Turismo, procedente da província de Formosa.


A gerente de enfermagem do Hospital Regional, Leila Fátima Vani, disse que na época trabalhava no Centro Cirúrgico e como a quantidade de feridos no segundo acidente foi maior, todos os setores foram mobilizados. “Nós não tínhamos uma unidade específica”, recorda


Segundo Leila, do primeiro acidente, apenas quatro feridos foram encaminhados ao Hospital Regional do Alto Vale, já que a maioria dos passageiros havia morrido, mas no segundo o número de feridos foi grande.


“Do segundo acidente em torno de 40 pacientes foram encaminhados ao hospital que ficou totalmente em função da tragédia”, completou.


Ainda de acordo com a gerente de enfermagem, em quase 30 anos de profissão a tragédia com os ônibus argentinos, foi o maior desafio da sua carreira.


“Ontem quando acordei, eu lembrei daquele dia. Ainda hoje quando tenho de passar pela Serra para visitar os meus pais, eu lembro do acidente”, finaliza.


Condições da rodovia


Mesmo depois de tantos anos a pergunta do que teria causado os acidentes e provocado a perda de tantas vidas num curto espaço de tempo em um mesmo trecho, ainda é tema de muitos questionamentos no Alto Vale. Para Gabriel Goméz três fatores contribuíram para a tragédia.

“As curvas, a neblina e os morros. Os motoristas argentinos não são acostumados a dirigir sob tais condições. Não foi um acidente, algumas coisas da tragédia poderiam ser evitadas como imprudência na direção e as condições da rodovia”, completa.


Ele diz que a falta de experiência dos argentinos em estradas brasileiras também pode ter contribuído para os acidentes.


“Por mais experiente que o motorista argentino seja, ele precisa lidar com as adversidades das rodovias brasileiras, que são diferentes das estradas argentinas, porém, o motorista que não é estrangeiro e está acostumado com a rodovia de seu país continua morrendo. O que foi feito para melhorar essa situação?”, indagou.


Conforme o superintendente do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), de Rio do Sul, Cristhiano Zulianello dos Santos, em 2019 foi realizado toda a revitalização do trecho na Serra da Santa.


“Além disso foi feita a sinalização horizontal e vertical diferenciada indicando a presença de uma curva acentuada, bem como, algumas faixas de retenção. São essas as medidas que estão ao alcance do Dnit”, completa.


Zulianello ainda afirma que para realizar uma intervenção maior no trecho da Serra da Santa, seria necessário mexer na geometria da rodovia, o que no momento é inviável.


“Segmento de Serra é comum no país todo e não tem muito o que fazer, apenas sinalizar para que o motorista esteja ciente do risco”, finaliza.


Diário Alto Vale

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